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jueves, 9 de julio de 2009

Poema Versículo 12

Versículo 12

Eis que me vejo, pisando em terras sem lei. Na fronteira exata entre o céu e a insanidade. Caminhando por escombros que exalam um forte odor de fezes humanas. Debaixo do céu da parte arruinada e obscura desta poderosa megalópole.
Eis meu reencontro com lugares onde as perversões mais hediondas habitam. Onde a violência é a única linguagem: a linguagem das ruas.
Este é meu perigoso vagar, por ruas onde o Jazz não existe, mendigos descansam em paz e prostitutas psicóticas de topless te ameaçam com navalhas enferrujadas.
[meu pensamento diz]
É cara, onde você foi parar? Reza pra ter asfalto suficiente pra te levar até aquele retângulo de luz, no final desse túnel interditado pela C.E.T...


* * *
Eu gostei deste texto poruqe mostra a situacao em que as favelas do Brasil estao e releva os problemas sociais.
Nao gostei no entanto, que existissem frases, que na minha opiniao, nao estao de acordo com o texto: "Debaixo --> megalópole"
O que me agradou, foi o facto do autor ainda ter um pequeno rectângulo de luz de esperanca pela resolucao dos problemas nas favelas.
Eu próprio gosto de pessoas optimistas porque sao as últimas a desistir.

André N.

Comentário geral aos textos lidos

Eu acho que todos ou a maioria dos temas dos textos deste livro expressam a triste realidade do Brasil.
É muito importante que "façam a imagem do lado da lapa" para que as pessoas saibam como é a realidade lá.
Oque nao me agrada muito é o facto dos próprios autores brasileiros fazerem uma imagem drástica do Brasil, embora, apesar de muitas pessoas serem pobres ou desabrigadas, também sejam alegres.
Além disso, o Brasil nao tem somente lugares ruins e favelas.
Os autores deveriam igualmente comentar a beleza do Brasil e do povo brasileiro que está escondido por detrás de toda a violência e da pobreza.

Geice Lisboa

Poema: Me enterrem com minha AR15

ME ENTERREM COM A MINHA AR 15

A rajada volta a soar
como a onda da vida
Fica frio..É só mais um número-fantasma na área...
O urubu no esqueleto do leão
escapando da arena...
Quem atira é o pseudo-morto, meu irmão...
Maluco..Acabou a munição...Foda-se, continuo atirando...
Para cima...Beleza..é só isso...a fumaça
que sai do cano e sobe até as nuvens...
Laser no meu peito...Tá ligado..na seqüência..O coração..explode...
e estou livre da boca
que se abre pro mar...
Quer saber...Morrer não dói...
primeiro o tempo fica bem devagar...Tipo sonhando..
Aí vem um clarão...Você vê o Morro por todos os lados...

E então...


Eu acho que Marcelo Ariel escreveu, em poucas linhas, várias verdades que na vida de alguns brasileiros acontecem no dia-a-dia.
O seu texto, embora tenha algumas partes muito abstractas, é fácil de entender e muito original.
O único ponto negativo é a pontuacao. Em vez de colocar reticências no final de todos os versos, deveria substitui-las por uma pontuacao que fortalecesse as suas afirmacoes.

Geice Lisboa

Poema: Tacada 7: A torineta

Tacada 7: A tormenta

Nosso romantismo grita dos becos à lua. Das sarjetas aos palcos. Do tormento ao feijão que há no vômito na calçada. Do sofrimento às folhas de caderno. Dos banheiros às luzes. De noites às noites seguintes. Das entranhas aos copos. Dos copos a Marte. De Urano a Saturno. Do nada ao tudo.
Quem realmente tem arte na alma carrega em si o peso da maldição de mil mares de efêmero e eterno. De um triste olhar ante a felicidade. De uma loucura exacerbada em plena área administrativa.
Muitos vão antes de nós. Um dia iremos atrás. Que fiquem aqui apenas os chatos, pois certas juventudes não devem ser ceifadas pela praga da velhice.
Descobri que deus inveja suas crias. E nós, como criadores, invejamos a eternidade dele. Talvez estejamos aqui apenas para "deixar". E, no final, estamos aqui apenas para sermos lembrados mesmo.


Eu acho que este nao transmite uma boa ideia. No texto ele fala sobre Deus e diz que ele tem invenja dos seres humanos, dos românticos. Ele também tenta fazer um contraste entre as coisas más e as coisas boas e nao consegue.
Além disso acho que o texto nao tem nenhuma lógica. O autor mesmo, nao é uma autor; ele é um músico frustado e, na minha opiniao, estes textos nao ajudam os jovens, mas so a ele próprio para se livrar das suas próprias frustacoes.


Karen Maia

Poema: Lar doce lar

LAR DOCE LAR

Lá se vão família inteira pai - mãe dois irmãos
levando roupas do corpo panelas cobertores lençóis o
cachorrinho mascote que não deixaram pra traz episódio
na paulista a cena de todos no parque bebendo água da
fonte forte dramatização as falas as deixas perfeitas
não havia produção nem câmera ou holofotes não era uma
gravação a mais pura realidade tão comum na capital
desorientado o pai assume a direção iam pra qualquer
lugar onde encontrassem espaço tranqüilidade e comida
albergues não queriam essa era a decisão acreditando
em poucos dias solucionar a questão dinheiro
conseguiriam se preciso no sinal as crianças pediriam
moedas aos motoristas fazendo malabarismos com
laranjas e limão e se olhassem
olhar carros num ponto que fosse bom desceram a
Brigadeiro pro parque Ibirapuera.

Correndo ia na frente o cãozinho inocente
brincando com o coco verde que encontrou no caminho.


Eu escolhi este texto, porque é a pura verdade, o que acontece no Brasil.
Famílias que nao têm condicoes de vida, que quase todos os dias têm que se abrigar em lugares diferentes e mandar os filhos para trabalhar junto aos semáforos.
Eu gostei deste texto, porque ele tem sentido.
Nao é como os outros textos que lemos nestas folhas.
Acho que em muitos destes textos, se escreve a verdade sobre tudo o que acontece com as criancas
de rua pois muitas pessoas nao sabem como é a realidade.

Jessica Lisboa